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Dra. Iandra Zaros – Gastroenterologista e Hepatologista em Limeira – SP

Esteatose Hepática:

ESTEATOSE HEPATICA

A esteatose hepática , popularmente chamada de gordura no fígado, é uma condição cada vez mais comum e está diretamente  associada ao excesso de peso, resistência à  insulina e alterações metabólicas. Quando não relacionada ao álcool, chamamos este quadro de  esteatose hepática metabólica- que recentemente teve sua nomenclatura atualizada para refletir sua origem metabólica.

O que é Esteatose Hepática Metabólica?

A esteatose  hepática é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura dentro dentro das células do fígado. Quando esse excesso não é devido ao consumo de álcool, chamamos de  MASLD ( Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease)- termo atual.

Estima-se que cerca de 30% da população mundial tem acúmulo de gordura no fígado.

Por isso é um importante problema de saúde pública, especialmente porque os principais fatores a ela associados — obesidade e diabetes, por exemplo — continuam crescendo em todo o mundo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), a gordura no fígado acomete um em cada três pacientes adultos. Além disso, o número de crianças e adolescentes acometidos tem crescido devido ao sedentarismo e a má alimentação.

Causas e Fatores de Risco

A esteatose metabólica está fortemente  relacionada  a :

  • Má alimentação, com prevalência de itens gordurosos e produtos industrializados;
  • Consumo frequente de bebida alcoólica;
  • Consumo de refrigerantes e bebidas com alto teor de frutose
  • Obesidade e sobrepeso
  • Aumento da circunferência abdominal
  • Síndrome metabólica
  • Resistência  à insulina
  • Diabetis tipo 2
  • Dislipidemias ( colesterol e triglicerídeos elevados )
  • Hipertensão
  • Sedentarismo
  • Perda ou ganho muito rápido de peso.
  • obesidade;
  • diabetes.
  • consumo de refrigerantes e bebidas com alto teor de frutose
  • Uso de certos medicamentos — como hormônios e corticoides
  • Inflamações crônicas associadas à hepatite C e outras doenças.

A gordura no fígado causa sintomas ?

É muito importante saber que a maioria dos casos de gordura no fígado não apresenta sintomas. De modo geral, esse quadro só gera algum sinal quando o dano ao fígado já é muito grave.

ESTEATOSE HEPÁTICA

A condição, portanto, é silenciosa e só é identificada em exames de rotina. Num primeiro momento, os sinais e sintomas mais comuns são:

  • desconforto do lado direito superior do abdome
  • aumento do fígado
  • perda de apetite
  • fraqueza;
  • cansaço persistente
  • fadiga

Quando aparecem sintomas mais evidentes, muitas vezes a doença já evoluiu.

A gordura no fígado pode virar cirrose ?

Sim.

Nem todos os casos evoluem, mas uma parcela dos pacientes com MASH pode desenvolver:

  • Fibrose progressiva
  • Cirrose
  • Insuficiência hepática
  • Maior risco de câncer no fígado

Por isso , o acompanhamento adequado é fundamental.

Os estágios mais avançados de inflamação (esteato-hepatite), fibrose e cirrose, as manifestações podem incluir:

  • ascite (acúmulo anormal de líquido dentro da cavidade abdominal);
  • icterícia (pele e olhos amarelados);
  • encefalopatia e confusão mental;
  • fezes esbranquiçadas;
  • alterações do sono;
  • hemorragias;

Como é feito o diagnóstico de gordura no fígado(esteatose hepática) ?

O diagnóstico da esteatose hepática envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem ( ultrassonografia é o mais utilizado), elastografia hepática.

É importante entender que um único exame isolado nem sempre é suficiente  para avaliar completamente a doença . O objetivo não é apenas  detectar gordura, mas também identificar:

  • Se há inflamação associada ( MASH)
  • Se existe fibrose
  • Qual risco de progressão

A avaliação clínica é o primeiro passo. Durante a consulta médica  serão analisados :

  • Peso e índice de massa corpórea (IMC)
  • Circunferência abdominal
  • Presença de diabetes
  • Dosagem de Colesterol e triglicérides
  • Pressão arterial
  • Uso de medicamentos
  • Consumo de álcool
  • Histórico familiar de doenças hepáticas

A gordura no fígado está fortemente relacionada à disfunção metabólica, por isso o contexto clínico é muito importante.

Exames de sangue : o que eles mostram ?

Os exames laboratoriais ajudam a identificar sinais indiretos de inflamação hepática. Os principais são

  • TGO ( AST)
  • TGP ( ALT)
  • GGT
  • Fosfatase alcalina
  • Bilirrubinas

É importante destacar:

  • É possível ter gordura no fígado com exames normais.
  • Alterações leves podem indicar inflamação.
  • Exames persistentemente elevados merecem investigação.
  • Além disso , é muito importante solicitar exames da parte metabólica:
  • Glicemia e hemoglobina glicada
  • Insulina
  • Perfil lipídico
  • Ferritina
  • Sorologias para descartar outras doenças hepáticas.

Ultrassonografia no diagnóstico da gordura no fígado: Por que ele é tão importante ?

A ultrassonografia de  abdome  é , na prática clínica, o exame de imagem mais utilizado para detectar esteatose hepática. Ela costuma ser o primeiro exame quwe leve o paciente a descobrir que tem “ gordura no fígado”, muitas vezes durante um check-up de rotina. O médico radiologista consegue  classificar em esteatose leve , moderada e acentuada. Mas existem algumas limitações importantes como :

  • Não diferencia esteatose simples de inflamação (MASH)
  • Não avalia com precisão o grau de fibrose
  • Pode não detectar esteatose leve( menor que 20 – 30% de infiltração gordurosa).

Em alguns casos pode ser necessário complementar com exames como elastografia hepática para avaliar suspeita de fibrose e risco de progressão da doença.

Por isso a importância da avaliação de um especialista ( hepatologista ).

Existe tratamento para Gordura no Fígado?

O combate ao problema envolve, especialmente, mudanças no estilo de vida. Sendo  determinado conforme as causas da doença e baseia-se em três pilares:

  • prática regular de exercícios físicos;
  • alimentação equilibrada;
  • estilo de vida saudável.
  • Tratamento medicamentoso

Essas medidas ajudam a controlar os níveis de colesterol e triglicérides, a resistência à insulina, o excesso de peso e a pressão arterial.

É importante que o consumo de álcool seja evitado, mesmo que não seja a principal causa do problema, já que a bebida sobrecarrega o fígado e contribui para a obesidade.

Quando a doença é causada por medicamentos, é preciso avaliar o custo-benefício e estudar a possibilidade de substituição. Já quando é detectada gordura no fígado associada a outras doenças, como ovário policístico ou hipotireoidismo, essas condições devem ser tratadas adequadamente.

Quem poderá te ajudar?

Dra Iandra M. Pinheiro Zaros- Hepatologista e Gastroenterologista em Limeira

Formação-  CRM 95.963/RQE 67.679

  • Graduada em Medicina pela Escola Superior de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória- EMESCAM- 1997
  • Residência médica em Clínica Médica pela  Faculdade de Medicina de Jundiaí – SP ( FMJ)
  • Especialização em  Gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Título de Especialista em Gastroenterologia pela Federação Brasileira de Gastroenterologia ( FBG)
  • Mestrado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Hepatologia

Publicações

  • Capítulo de Encefalopatia Hepática do Manual de Hepatologia para Clínicos e Residentes, 2018.
  • Capítulo de  Doenças hepáticas próprias da Gestação do Manual de Hepatologia para Clínicos e Residentes, 2018.( 1ª edição)
  • Capítulo de  Doenças hepáticas próprias da Gestação do Manual de Hepatologia para Clínicos e Residentes, 2025. ( 2ª edição)
DRA IANDRA ZAROS

Existe tratamento medicamentoso para gordura no fígado ?

Sim. Atualmente já existem tratamentos medicamentosos aprovados no Brasil que podem ajudar no controle da gordura do fígado, especialmente nos casos associados à obesidade , resistência à insulina ou diabetis tipo 2.

Algumas dessas terapias modernas foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( ANVISA) para o tratamento de doenças metabólicas relacionadas ao excesso de peso e ao descontrole do metabolismo da glicose.

Estudos científicos demostram que esses medicamentos também podem trazer benefícios importantes para pacientes com esteatose hepática e esteato- hepatite associada à disfunção metabólica (MASH).

Esses tratamentos atuam em mecanismos hormonais do organismo que regulam a fome, a saciedade e o metabolismo energético. Como consequência, podem promover:

  • Redução da gordura acumulada no fígado
  • Melhora da inflamação hepática
  • Melhora dos marcadores metabólicos
  • Potencial redução da progressão da fibrose
  • Redução do peso corporal
  • Melhor controle da glicemia
  • Redução da resistência à insulina

É importante destacar:

O medicamento não substitui mudança de estilo de vida. Ele atua como parte de uma estratégia integrada.

A prescrição deve ser feita após avaliação criteriosa, considerando perfil metabólico, exames e risco individual.

Nem toda gordura no fígado precisa de medicação

Esse é um ponto fundamental.

Muitos casos de esteatose podem ser tratados apenas com:

  • Ajuste alimentar
  • Redução do peso
  • Atividade física regular
  • Controle metabólico ( melhora das taxas de glicemia , colesterol e triglicerídeos).
  • O uso da medicação deve ser individualizado

O  papel do acompanhamento especializado :

A gordura no fígado não deve ser tratada de forma isolada.

Ela exige avaliação global:

  • Perfil metabólico
  • Risco cardiovascular
  • Grau de fibrose
  • Histórico familiar
  • Estilo de vida

Cada paciente tem um padrão de risco diferente. A identificação precoce e o acompanhamento adequado podem evitar complicações futuras e preservar a saúde hepática a longo prazo.

Como hepatologista em Limeira, com mais de 20 anos de experiência, realizo uma avaliação detalhada para investigar alterações em exames do fígado, gordura hepática, hepatites e outras doenças hepáticas.

Meu objetivo é oferecer um acompanhamento cuidadoso, com orientações claras e baseadas em evidências científicas, para que cada paciente compreenda sua condição e cuide melhor da sua saúde.

Se você precisa de avaliação especializada em fígado, será um prazer cuidar de você.

DRA IANDRA ZAROS

É possível prevenir a gordura no fígado?

GORDURA NO FÍGADO

  Algumas medidas são as principais aliadas para o bem do fígado, indispensáveis para prevenir o acúmulo de gordura no órgão ou para reverter o quadro já instalado. Elas incluem:

  • consultas médicas regulares;
  • atenção às medidas da circunferência abdominal;
  • manutenção de peso dentro dos padrões ideais para altura e idade, mas sem recorrer a dietas radicais, que provocam emagrecimento rápido, piorando o quadro;
  • restrição de consumo dos carboidratos refinados e das gorduras saturadas;

Além disso, é importante dormir bem, manter os níveis de vitamina D em dia e evitar estresse e trabalho excessivo.

Qualquer pessoa pode desenvolver a doença?

Qualquer pessoa pode desenvolver gordura no fígado, desde que apresente os fatores de causa da doença.

Ela ocorre devido a uma combinação entre genética e outras variáveis, como uso crônico de álcool, diabetes, aumento de triglicérides, colesterol alto, uso de certos medicamentos, hepatite crônica B e C e certas hepatopatias autoimunes. Nos pacientes com diabetes, porém, a prevalência pode chegar até a 60% dos casos.

É importante enfatizar que o estilo de vida é um fator importante para o surgimento da condição

O acompanhamento médico regular junto aos exames de rotina também é fundamental para monitorar a saúde do fígado e ajustar estilo de vida, medicamentos, alimentação e hábitos de exercícios físicos ao longo da vida.

Fígado com gordura é porta de entrada para outras doenças?
Sim.

Em seus estágios mais graves, a condição pode evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado.

Como a doença pode evoluir?

Segundo a SBH ( Sociedade Brasileira de Hepatologia) a maior parte das pessoas com gordura no fígado tem uma alteração estável no órgão, que pode regredir desde que o problema metabólico seja sanado ou controlado.

No entanto, até 30% desses indivíduos podem apresentar evolução do quadro para uma doença conhecida como esteato-hepatite (inflamação do fígado que acarreta lesão inflamatória nos hepatócitos).

Essa doença pode progredir de maneira gradativa. Ao longo dos anos, é capaz de levar à cirrose hepática e, com menos frequência, ao câncer.

Manter a saúde do fígado é essencial

O fígado é um órgão essencial para a qualidade de vida. Contudo, suas doenças são silenciosas — o ideal é procurar um especialista antes dos primeiros sintomas surgirem.

Como tratar gordura no fígado?

O tratamento da esteatose hepática geralmente envolve uma abordagem multifacetada, visando controlar os fatores de risco, melhorar a saúde hepática e prevenir complicações. Aqui estão algumas estratégias comuns de tratamento:.

  • Estilo de vida saudável

Adotar uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras. Reduzir a ingestão de gorduras saturadas e evitar alimentos processados e ricos em açúcares.

Além disso, incorporar atividade física regular, como caminhadas, corridas, natação ou outros exercícios aeróbicos, para promover a perda de peso e melhorar a saúde geral..

  • Perda de peso gradual

Uma perda de peso gradual, se necessário, pode reduzir a acumulação de gordura no fígado e melhorar a sensibilidade à insulina. No entanto, é importante que esse processo de perda de peso seja conduzido com auxílio profissional e feito de forma equilibrada, sem processos agressivos.

  • Controle de outras condições

Como dito acima, a gordura no fígado pode ser resultado de outros problemas de saúde. Por isso, tratar e controlar condições relacionadas, como diabetes tipo 2, resistência à insulina e síndrome metabólica pode ser necessário.

  • Evitar o consumo de álcool

Caso a esteatose hepática esteja relacionada ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a abstinência passa a ser uma medida fundamental para prevenir danos hepáticos adicionais.

  • Medicamentos

Em casos específicos, o médico pode prescrever medicamentos para ajudar a controlar a esteatose hepática. Isso inclui medicamentos para diabetes, controle de lipídios e antioxidantes.

  • Monitoramento regular

É importante destacar que o tratamento é personalizado, com base na gravidade da esteatose hepática, presença de complicações e fatores de risco individuais. A abordagem mais eficaz muitas vezes envolve mudanças sustentáveis no estilo de vida e uma colaboração contínua com profissionais de saúde. 

“Como toda doença crônica, a esteatose hepática necessita de manutenção do tratamento a longo prazo”.

Com esse entendimento, é possível enfrentar a esteatose hepática com mais seriedade e prevenir complicações mais graves no futuro.

De acordo com recomendações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), algumas medidas são indispensáveis na prevenção do acúmulo de gordura no fígado. Dentre elas, estão: 

Adote a alimentação certa

Apesar disso, o estilo de vida é um dos fatores mais decisivos para o surgimento da condição. Manter uma alimentação adequada é fundamental para prevenir o problema.

É importante que seja feita uma reeducação alimentar buscando melhorar e corrigir hábitos alimentares. Dietas radicais não são recomendadas, pois o emagrecimento abrupto também pode ser prejudicial ao fígado, além de que mudanças radicais na dieta não são efetivas a longo prazo.

O mais indicado é um programa de perda de peso gradual, em que se evite o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas ou trans e açúcares.

Alguns alimentos são mais propensos à melhoria do quadro e contribuem para o tratamento. A lista inclui itens ricos em ômega-3, como peixes, linhaça, verduras, frutas, leguminosas, oleaginosas, cereais integrais e carne branca.

Exercício e esteatose hepática:

Para quem quer saber como eliminar gordura no fígado rápido, fazer exercícios físicos é essencial. Isso ocorre porque, além de ajudar na perda de peso, a prática também diminui a gordura intra-abdominal, que está diretamente ligada à doença.

Como todo problema sério de saúde, a gordura no fígado deve ser diagnosticada e tratada por um profissional adequado, como o hepatologista.

DRA IANDRA ZAROS

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